“Os Trapalhões” é boa proposta para novo público, mas não dialoga com saudosistas.

O aviso partiu do Homem-Morcega, super-herói gay interpretado por Dedé Santana: “Cuidado com as piadinhas. Os tempos são outros. Eu te processo!”. Deu para notar. A reedição de “Os Trapalhões”, que estreou hoje no Viva, parece ter sucumbido ao politicamente correto. Estiveram presentes as cenas de briga, de bebedeira, o patrão carrasco, os “travestidos”… Nada, contudo, imbuído no espírito hoje visto como misógino e preconceituoso que consagrou o humorístico nos anos 70, 80 e 90.
Quadro de super-heróis foi ponto positivo da estreia de “Os Trapalhões”
A “Escolinha do Professor Raimundo” foi mais feliz neste sentido – de encaixar nos dias de hoje a falta de compostura de décadas passadas. “Os Trapalhões” de agora remete mais ao dominicais de Renato Aragão, “A Turma do Didi” e “Aventuras do Didi”, do que à versão original. O humor soa quase infantil. Isso não é demérito. O erro talvez resida em levar uma proposta mais condizente com as tardes de domingo – horário em que será exibido, em breve, na Globo – do que à noite num canal de cunho saudosista. A nova versão não bateu na memória afetiva. Uma pena.
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