Presidente falou pela primeira vez após a decisão pela continuidade do processo de impeachment.

Em sua primeira manifestação pública após a decisão do Senado de afastá-la do cargo de presidente para dar continuidade ao processo de impeachment, na manhã desta quinta-feira, Dilma Rousseff se disse injustiçada, falou em golpe diversas vezes e prometeu lutar pela continuidade de seu mandato. Não existe injutiça mais devastadora do que condenar um inocente — disse a presidente afastada em sua fala, que durou cerca de 15 minutos. Dilma chamou o processo de impeachment de "fraudulento" e disse que seu governo tem sido alvo de "intensa sabotagem". A presidente afastada criticou o uso das pedaladas fiscais como argumento para dar continuidade ao processo de afastamento. Ela lembrou o uso do recurso, que classificou como "atos legítimos de gestão orçamentária" por outros governantes, que não foram considerados criminosos.
— Posso ter cometido erros, mas não crimes — disse. No que chamou de uma "denúncia" sobre os riscos de um golpe, a presidente afastada se classificou como uma "fiadora zelosa do estado democrático de direito. Ela garantiu que vai usar de todos os recursos que dispuser para seguir o mandato até o fim e convocou os brasileiros a se unirem pela democracia. Mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar. Depois do pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff desceu, pela passagem interna do prédio, e encontrou-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em frente ao Palácio do Planalto. Os dois se abraçaram, mas não disseram nada. 
Fora do Planalto, Dilma repetiu aos manifestantes, em tom improvisado, o discurso que fez à imprensa. Dessa vez, porém, atacou diretamente Eduardo Cunha, dizendo que o presidente da Câmara agiu por vingança ao articular sua saída. A presidente não permitiu a continuidade do processo contra o deputado suspeito de corrupção no Conselho de Ética.
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